SAÚDE E MEIO AMBIENTE
Praias impróprias ligam alerta para risco de viroses no Litoral Norte de SC
Queda na balneabilidade da Meia Praia, em Itapema, e em Santo Antônio de Lisboa reforça orientação para evitar banho de mar
A situação da balneabilidade em Santa Catarina acendeu um alerta para a saúde pública. A Meia Praia, em Itapema — uma das mais frequentadas do Litoral Norte — foi classificada como totalmente imprópria para banho, com os quatro pontos de monitoramento sem recomendação para entrada na água, conforme relatório divulgado pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA).
O quadro representa uma piora em relação às análises anteriores. Pontos que permaneceram próprios por mais de um mês, em frente às ruas 261 e 319, passaram a apresentar contaminação. No Centro de Itapema, a condição é um pouco mais favorável, com apenas um local considerado impróprio, em frente à rua 113.
A queda na qualidade da água também foi registrada em Florianópolis, especialmente em Santo Antônio de Lisboa. No ponto de coleta em frente à Servidão Hipólito Machado, a concentração de micro-organismos de Escherichia coli (E. coli) atingiu 24.196 unidades por 100 mililitros de água — o maior índice desde junho de 2022. A bactéria é o principal indicador de contaminação fecal e define se a água é própria ou não para banho.
Pelas normas do Conama, a água do mar só é considerada própria quando 80% ou mais das amostras das últimas cinco semanas apresentam, no máximo, 800 unidades de E. coli por 100 mililitros. Valores acima desse limite indicam risco elevado à saúde, especialmente para crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa.
A exposição a águas contaminadas pode causar viroses, doenças diarreicas, infecções gastrointestinais, além de dermatites e conjuntivite. Diante do aumento de casos, o Ministério Público de Santa Catarina investiga a possível relação entre a qualidade da água do mar e o crescimento dessas doenças, sobretudo após as chuvas intensas do fim de ano.
Apesar de o cenário geral do Estado não ter sofrido grandes alterações, houve redução no número de pontos próprios para banho, que caiu de 174 para 169, o equivalente a 65% do total monitorado. Órgãos ambientais recomendam que a população evite o banho de mar em locais sinalizados como impróprios e, principalmente, por pelo menos 48 horas após temporais, como medida preventiva para proteger a saúde.