Reciclagem em Erechim transforma vidas, mas depende de cada cidadão

Com 100 famílias envolvidas e quase R$ 3 milhões gerados, cidade avança, mas descarte incorreto ainda limita resultados e renda dos recicladores.

Por Redação Publicado em 07/04/2026 21:33 - Atualizado em 07/04/2026 22:44

Em Erechim, a reciclagem vai muito além de números — ela sustenta famílias, protege o meio ambiente e depende diretamente de cada morador. Hoje, cerca de 100 famílias, organizadas em oito associações, transformam diariamente aquilo que muitos descartam em renda, dignidade e oportunidade.

Todos os dias, cada cidadão gera, em média, 700 gramas de resíduos. E é a partir desse volume que começa uma cadeia essencial: após a coleta seletiva, os materiais chegam às associações, onde são separados, reaproveitados e reinseridos na economia. É ali que o “lixo” ganha novo valor.

Em 2025, esse esforço coletivo resultou em mais de 6,1 milhões de quilos de resíduos recebidos. Desse total, 54% foram efetivamente reciclados — o equivalente a mais de 3,3 milhões de quilos reaproveitados — gerando quase R$ 3 milhões em receita. Um resultado expressivo, mas que revela um desafio urgente: quase metade de tudo ainda é perdida por descarte incorreto.

E aqui está o ponto-chave: a reciclagem começa dentro de casa. Quando o lixo orgânico é misturado ao reciclável, todo o trabalho é comprometido. E o impacto é direto — tanto no meio ambiente quanto no bolso de quem vive da reciclagem. Em algumas associações, a diferença de renda ultrapassa R$ 1 mil por mês apenas pela forma como os resíduos chegam para triagem.

Erechim já recicla cerca de 22% de todo o lixo produzido — um índice acima da média nacional. Mas pode avançar muito mais. O caminho é claro: separar corretamente, embalar de forma adequada e entender que cada atitude individual faz diferença coletiva.

Impacto ambiental 

Cristiano Moreira explica que a reciclagem, em Erechim, seleciona 55 tipos diferentes de materiais para serem pesados e comercializados. "Eles separam alumínio duro e grosso, caixas de leite, latinha,  papel branco, misto e papelão, plástico de bala, PET branco e verde, plástico fino, vidro e a sucata de vidro, para citar alguns exemplos", comenta.  

"É a partir do resultado desta triagem que podemos medir o impacto ambiental, por exemplo, em 2025, foram reciclados 743.250 quilos de papelão, média de quase 62 mil quilos por mês. Isso significa que mais de 12 mil árvores deixaram de ser cortadas (10 hectares), foram economizados cerca de 22 milhões de litros de água, e houve redução de 743 toneladas de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera. Então, a reciclagem funciona, preserva florestas, economiza água e energia, reduz a poluição e diminui a extração de recursos naturais, mas tem que ser um trabalho sincronizado, de todos", afirma o secretário.  

O prefeito, Paulo Polis, enfatiza que Erechim tem políticas públicas específicas que incentivam e promovem a reciclagem no município, com investimentos públicos em infraestrutura e pessoal, em todas etapas, ao longo de todo ano. "Essa é uma área complexa, que não tem uma solução simples. Temos coleta seletiva contínua em toda cidade, suporte financeiro para associações com o pagamento dos alugueis e mais R$ 700 mensais para cada reciclador. Programa de educação ambiental. Aterro sanitário. Limpeza diária das praças e ruas públicas. Há um conjunto de ações em prática para manter a cidade limpa e organizada e, ainda assim, temos desafios diários na questão do lixo", observa o prefeito.

A cidade tem estrutura. Tem pessoas comprometidas. Tem resultados concretos. Agora, precisa de você. Porque reciclar não é apenas descartar — é escolher o futuro que queremos construir.

Fotos: Ígor Dalla Rosa Müller - SMMA