MERCADO IMOBILIÁRIO

Reeleição de Lula provoca reação no mercado financeiro e pressiona ações de construtoras

Alta dos juros futuros e queda expressiva de empresas do setor imobiliário marcam o primeiro pregão após as eleições; especialistas alertam que os efeitos sobre o financiamento habitacional não são imediatos.

Por Redação AU Publicado em 26/10/2026 20:15 - Atualizado em 26/10/2026 21:44

O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana sob forte pressão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta segunda-feira (26), a alta das taxas de juros futuros e a queda das ações de construtoras e incorporadoras chamaram a atenção dos investidores, diante das incertezas sobre os rumos da política econômica nos próximos quatro anos.

O setor imobiliário esteve entre os mais afetados pela movimentação na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). No início da tarde, as ações da Cyrela (CYRE3) e da MRV&Co (MRVE3) registravam perdas superiores a 41%, conforme os dados divulgados na reportagem original. Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) também apresentavam recuos expressivos, entre 13% e 23%.

A reação está relacionada principalmente às expectativas sobre os juros e a situação das contas públicas. Como a construção civil depende diretamente da oferta de crédito, mudanças nas projeções de financiamento e no custo do dinheiro costumam ter reflexos importantes sobre as empresas do segmento.

Expectativas econômicas influenciam reação dos investidores

Em análise divulgada pela Genial Investimentos, a corretora avaliou que parte do mercado havia se posicionado considerando a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.

Segundo a instituição, esse cenário estava associado à expectativa de maior ajuste fiscal. Com a confirmação da reeleição de Lula, investidores passaram a reavaliar os riscos relacionados à trajetória da dívida pública e à manutenção de juros elevados por um período mais prolongado.

A avaliação da corretora é de que a ausência de sinais considerados suficientes pelo mercado para estabilizar as contas públicas aumenta a procura por ativos de proteção, como o dólar, e reduz o interesse por investimentos mais sensíveis às taxas de juros.

Entre os segmentos mais expostos estão a construção civil, o varejo e as empresas com maior endividamento.

O analista Filipe Villegas, da Genial Investimentos, observa que essas companhias podem enfrentar dificuldades adicionais em um ambiente de crédito mais caro, consumo enfraquecido e maior custo de financiamento.

A corretora também recomenda cautela com os fundos de investimento imobiliário, que podem perder atratividade quando as taxas de juros permanecem elevadas.

Financiamento de imóveis não muda de um dia para o outro

Apesar da forte movimentação no mercado financeiro, os efeitos sobre quem pretende comprar um imóvel não são necessariamente imediatos.

Isso ocorre porque o financiamento habitacional possui características próprias. Parte dos recursos utilizados pelos bancos vem do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que seguem regras específicas de contratação.

Assim, uma alta nas taxas negociadas no mercado futuro não significa que os juros cobrados pelos bancos nos financiamentos imobiliários aumentarão automaticamente.

Para Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, a reação dos investidores demonstra a influência do cenário político sobre as expectativas econômicas, mas não deve ser confundida com uma alteração imediata nas condições oferecidas ao consumidor.

A orientação é acompanhar o comportamento das instituições financeiras e avaliar as condições efetivas de crédito antes de tomar decisões de compra ou investimento.

Reflexos também podem chegar ao mercado regional

Em Erechim e nos municípios do Alto Uruguai, eventuais mudanças no custo do financiamento habitacional também merecem atenção, especialmente entre famílias que planejam adquirir a casa própria e empresas que atuam na construção de novos empreendimentos.

O impacto, entretanto, dependerá da evolução das taxas de juros, das condições de financiamento oferecidas pelos bancos e da capacidade de compra dos consumidores.

Por enquanto, a queda das ações das construtoras representa uma reação do mercado de capitais às novas expectativas econômicas, e não uma redução automática no valor dos imóveis ou uma mudança imediata nas prestações dos financiamentos já contratados.

Para quem pretende comprar, vender ou financiar um imóvel, o cenário recomenda atenção às condições de crédito, sem decisões precipitadas baseadas apenas nas oscilações de um único pregão.

Atualização da apuração: Reportagens publicadas nesta segunda-feira confirmam a forte queda das construtoras e a alta dos juros futuros. No fechamento, segundo levantamento do BP Money, a Cyrela recuou 44,81% e a MRV&Co caiu 42,53%.

Também é importante distinguir a alta dos juros futuros de um aumento efetivo da Selic, que depende de decisão do Banco Central.

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