NOVO CENÁRIO TRIBUTÁRIO

Reforma Tributária muda o papel do contador e exige preparação das empresas

Tema abriu a 35ª Semana Acadêmica de Ciências Contábeis da URI. Especialista alertou que mudanças vão além do cálculo de impostos e terão reflexos nos preços, margens, fluxo de caixa e decisões empresariais.

Por Redação/Ascom URI Publicado em há 3 horas

A Reforma Tributária não vai mudar apenas a maneira como as empresas pagam impostos. Ela também deve transformar a rotina dos escritórios e ampliar o espaço do contador nas decisões estratégicas dos negócios.

Foi com esse olhar para o que está por vir que teve início, na noite de segunda-feira (21), no Salão de Atos, a 35ª Semana Acadêmica de Ciências Contábeis da URI.

A palestra de abertura foi conduzida pela advogada erechinense e consultora tributária Maria Eduarda Pavan, que detalhou algumas das principais mudanças previstas no novo sistema e, principalmente, os efeitos que elas deverão produzir no dia a dia das empresas e dos profissionais da área.

“O contador vai ter um outro papel a partir da Reforma Tributária”, resumiu a palestrante.

Contador mais próximo das decisões da empresa

Maria Eduarda chamou a atenção para cinco áreas que deverão ganhar importância: reprecificação, manutenção das margens, fluxo de caixa, crédito tributário e modelo de negócio.

Na prática, significa que acompanhar a legislação e calcular tributos será apenas parte do trabalho.

Com a implantação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), dentro do novo modelo de tributação sobre o consumo, as empresas precisarão compreender como cada mudança interfere em custos, preços e resultados.

Isso coloca o contador cada vez mais próximo das decisões do empresário.

Preços terão de ser revistos

Um dos pontos abordados foi justamente a formação dos preços.

Com a nova sistemática de tributação, empresas terão de revisar cálculos e avaliar a carga tributária efetiva de suas operações. Uma precificação feita sem considerar corretamente os efeitos da reforma poderá comprometer a margem do negócio.

Nesse cenário, destacou Maria Eduarda, o profissional contábil passa a ter papel importante não apenas na apuração do imposto, mas também na análise dos impactos financeiros e no planejamento das empresas.

Reforma também chega ao caixa das empresas

Outro ponto de atenção está no fluxo de caixa.

Os novos mecanismos de recolhimento podem alterar a dinâmica financeira dos negócios e produzir efeitos sobre o capital de giro. Por isso, compreender quando e como os tributos serão recolhidos será tão importante quanto conhecer as novas alíquotas e regras.

A questão dos créditos tributários também ganhou destaque. O novo modelo amplia possibilidades de aproveitamento de créditos, mas exige atenção à cadeia de fornecedores e ao cumprimento das obrigações tributárias.

Atenção aos créditos de PIS e Cofins

Durante a transição para a CBS, há ainda uma questão que merece atenção imediata dos profissionais e das empresas: os créditos de PIS e Cofins.

Segundo Maria Eduarda, esses valores precisam estar devidamente escriturados até 31 de dezembro de 2026, para que possam ser utilizados conforme as regras aplicáveis durante a transição.

É um prazo que coloca o tema na agenda dos escritórios contábeis ainda neste ano.

Uma mudança que vai além dos impostos

A mensagem deixada na abertura da Semana Acadêmica foi justamente esta: a Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como uma troca de tributos ou de procedimentos contábeis.

Ela alcança preços, margens, fornecedores, caixa e até a estrutura dos negócios.

Para os futuros contadores e para quem já está no mercado, a transformação também abre espaço para uma atuação mais consultiva, com o profissional participando diretamente do planejamento e das decisões das empresas.

A 35ª Semana Acadêmica de Ciências Contábeis da URI segue colocando em debate temas ligados às mudanças do mercado e aos novos desafios da profissão.