CLIMA | ALERTA GLOBAL

Super El Niño pode atingir pico no fim de 2026 e ampliar risco de eventos climáticos extremos

Projeções divulgadas pela Organização Meteorológica Mundial apontam forte aquecimento do Pacífico entre novembro e janeiro. Fenômeno pode provocar secas, chuvas intensas e impactos na agricultura, com reflexos também no Rio Grande do Sul.

Por Redação AU/OMM/ONU Publicado em há 4 horas

O fenômeno El Niño poderá alcançar seu período de maior intensidade entre o fim de 2026 e o início de 2027, aumentando o risco de eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta. O alerta foi apresentado nesta quarta-feira (21), em Genebra, na Suíça, durante uma coletiva de representantes da Organização das Nações Unidas (ONU).

Foto: https://www.novacana.com/

De acordo com as informações divulgadas, projeções climáticas indicam que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico tropical poderá atingir até 3,8°C acima da média entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Caso se confirme, o aquecimento representará um episódio de intensidade excepcional.

O El Niño ocorre quando as águas superficiais de uma extensa faixa do Pacífico equatorial ficam mais quentes do que o normal, alterando a circulação atmosférica e influenciando os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo.

A secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, alertou que os efeitos do fenômeno poderão continuar mesmo depois de seu período de maior intensidade.

Segundo ela, a preocupação está relacionada à possibilidade de ampliação de episódios de calor extremo, estiagens e chuvas intensas, especialmente em regiões que já enfrentam dificuldades provocadas por eventos climáticos.

Rio Grande do Sul poderá sentir reflexos nas chuvas

No Sul do Brasil, episódios de El Niño costumam favorecer períodos de precipitação acima da média, principalmente na primavera e no início do verão. Isso ocorre porque o fenômeno pode alterar a circulação de umidade e favorecer a atuação de sistemas de instabilidade sobre a região.

Para o Rio Grande do Sul, a possibilidade de um El Niño muito intenso exige atenção, especialmente em áreas que apresentam histórico de enchentes, enxurradas e temporais.

Na região do Alto Uruguai, onde estão Erechim e outros municípios do Norte gaúcho, períodos prolongados de chuva podem elevar rapidamente os níveis de arroios e rios, além de provocar transtornos em áreas urbanas e estradas do interior.

O comportamento do Rio Uruguai e de seus afluentes também merece acompanhamento, considerando a influência das chuvas registradas nas bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Entretanto, a intensidade do El Niño não determina, isoladamente, quanto choverá em cada município. A distribuição das precipitações dependerá da atuação de frentes frias, sistemas de baixa pressão e outros fatores atmosféricos.

Créditos: Painel El Niño 2026-2027 - Inmet

ONU alerta para consequências humanitárias

A preocupação das Nações Unidas vai além das alterações no clima. Um El Niño de intensidade excepcional pode comprometer a produção de alimentos, dificultar o abastecimento de água e agravar a situação de populações que já enfrentam conflitos, pobreza e deslocamentos forçados.

Durante a coletiva, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, alertou para a possibilidade de impactos de grande escala, especialmente em países com menor capacidade de resposta a desastres naturais.

O cenário é agravado pelo aumento dos custos de alimentos, combustíveis e fertilizantes, além da redução de recursos destinados à assistência humanitária.

Segundo Fletcher, os efeitos econômicos e sociais poderão ultrapassar as regiões diretamente atingidas por secas e inundações, afetando cadeias de abastecimento e ampliando a necessidade de ajuda internacional.

Amazônia já enfrenta estiagem e queimadas

No Brasil, uma das maiores preocupações está na Amazônia, onde a combinação de estiagem, temperaturas elevadas e incêndios florestais já provoca dificuldades para milhares de moradores.

De acordo com boletim divulgado pelo Governo do Amazonas na terça-feira (20), pelo menos 41 municípios estavam em situação de emergência devido à estiagem. Outros 16 permaneciam em alerta e cinco em atenção.

O levantamento aponta 102.445 famílias atingidas pelos efeitos da falta de chuvas.

Em Manaus, a fumaça das queimadas também compromete a qualidade do ar. No domingo (18), a concentração de partículas finas chegou a 94,4 microgramas por metro cúbico, índice classificado como muito ruim pela Defesa Civil municipal.

O governo federal informou que pretende intensificar as ações de combate aos incêndios florestais e de enfrentamento aos efeitos da estiagem.

A Organização Meteorológica Mundial também aponta aumento do risco de seca em partes da América Central, do Caribe e da Amazônia, enquanto outras regiões das Américas poderão registrar precipitações acima da média.

ONU destina recursos para países mais vulneráveis

Diante das projeções, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) anunciou a liberação de mais de US$ 50 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências.

Os recursos serão destinados a ações preventivas em 11 países considerados mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno, entre eles Chade, El Salvador, Etiópia, Somália e Sudão do Sul.

A prioridade é antecipar medidas de proteção, melhorar os sistemas de alerta e preparar comunidades para enfrentar possíveis situações de emergência.

Celeste Saulo ressaltou que a ocorrência de fenômenos climáticos extremos não precisa resultar necessariamente em tragédias humanitárias. Para isso, defendeu o uso de informações meteorológicas confiáveis e o planejamento antecipado das autoridades.

Próximos meses exigem acompanhamento das previsões

A projeção de aquecimento de até 3,8°C no Pacífico tropical consta da atualização climática sazonal divulgada pela OMM em 21 de outubro. O valor representa uma estimativa para a anomalia de temperatura da superfície do mar na região monitorada, e não um aumento uniforme da temperatura dos oceanos ou do planeta.

Os modelos indicam que o fenômeno poderá atingir seu pico por volta de dezembro, com efeitos que se prolongariam por parte de 2027.

Para o Rio Grande do Sul, o acompanhamento será especialmente importante durante a primavera e o verão, períodos em que a influência do El Niño pode favorecer volumes elevados de chuva.

Na região de Erechim e do Alto Uruguai, a atenção deve se concentrar nas atualizações dos institutos de meteorologia e nos avisos da Defesa Civil, principalmente quando houver previsão de temporais ou precipitações persistentes.

O alerta da ONU não significa que todos os eventos extremos previstos ocorrerão, mas indica um aumento dos riscos climáticos em escala global. A intensidade e a localização dos impactos dependerão das condições atmosféricas observadas ao longo dos próximos meses.

Fontes: Organização Meteorológica Mundial (OMM/ONU), atualização de 21 de outubro de 2026; informações do Governo do Amazonas.

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