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Super El Niño pode provocar 451 mil mortes por calor; Brasil está entre os países mais afetados

Um estudo do Climate Impact Lab coloca o Brasil entre os países mais afetados, com estimativa de 13,3 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre junho de 2026 e fevereiro de 2027.

Por Redação AU Publicado em há 5 horas

O impacto do Super El Niño de 2026-2027 pode ir muito além das mudanças no regime de chuvas e da ocorrência de eventos extremos. Um novo estudo do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, projeta que o calor associado ao fenômeno poderá estar relacionado a cerca de 451 mil mortes adicionais no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, quando comparado a um período com temperaturas consideradas normais.

O Brasil aparece entre os países com maior número de mortes adicionais projetadas. A estimativa é de aproximadamente 13,3 mil mortes relacionadas ao calor no período, colocando o país entre os cinco com maior impacto previsto no levantamento.. A informação foi publicada nesta quarta-feira (23) pela CNN Brasil e consta também na divulgação oficial da Universidade de Chicago.

O número chama atenção pela dimensão, mas precisa ser interpretado corretamente: não significa que 451 mil pessoas já morreram ou que necessariamente morrerão em decorrência do El Niño. Trata-se de uma projeção estatística que estima quantas mortes adicionais poderiam ocorrer devido às temperaturas acima do normal, em comparação com a mortalidade esperada em condições climáticas consideradas normais.

Padrão climático que impulsiona o El Niño está se tornando mais intenso à medida que o planeta aquece - IA/GEMINI

Brasil aparece entre os cinco países mais afetados

Os pesquisadores analisaram a relação entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do mundo e compararam as temperaturas projetadas para o período do El Niño com médias históricas registradas entre 1996 e 2025.

O estudo estima que o fenômeno poderá provocar 44% mais dias de calor extremo do que seria esperado em um ano normal, aumentando os riscos principalmente em regiões mais vulneráveis às altas temperaturas.

No caso brasileiro, a projeção aponta cerca de 8 mil mortes adicionais somente entre dezembro e fevereiro, período correspondente ao verão no Hemisfério Sul.

Alerta também representa oportunidade de prevenção

Apesar da dimensão dos números, os próprios pesquisadores destacam que as mortes projetadas não são inevitáveis. Medidas de adaptação e proteção podem reduzir os impactos do calor extremo.

Entre as estratégias apontadas estão sistemas de alerta para temperaturas perigosas, ampliação do atendimento de saúde para populações vulneráveis, criação de espaços de resfriamento e pontos de hidratação, além de medidas de proteção para trabalhadores expostos ao calor.

O estudo, portanto, não apresenta apenas um cenário de risco: também identifica onde ações de prevenção podem fazer diferença nos próximos meses.

Para a população, o alerta reforça a importância de acompanhar as previsões meteorológicas e os comunicados das autoridades durante os períodos de calor extremo, especialmente no caso de idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores que permanecem expostos ao sol.

Intensidade do El Niño amplia risco de calor extremo nos próximos meses

A intensidade projetada para o atual El Niño ajuda a explicar a dimensão dos impactos previstos. Segundo o levantamento repercutido pela CNN Brasil, a temperatura média global pode ficar cerca de 1,2°C acima do normal nos próximos meses, enquanto os dias de calor extremo podem ser 44% mais frequentes do que em um ano considerado normal.

Para os pesquisadores, o episódio pode funcionar como uma espécie de antecipação de condições climáticas que, com o avanço das mudanças climáticas, tendem a se tornar mais comuns nas próximas décadas.

Além dos efeitos imediatos do El Niño, o fenômeno também permite observar como populações, cidades e sistemas de saúde respondem a períodos de calor mais intenso e frequente, oferecendo informações importantes para medidas de prevenção e adaptação diante de um cenário de temperaturas cada vez mais elevadas.

O calor também mata

A mortalidade provocada por temperaturas extremas nem sempre aparece de maneira tão evidente quanto as mortes causadas por enchentes, deslizamentos ou vendavais.

O calor intenso pode agravar problemas cardiovasculares e respiratórios, aumentar a desidratação e a sobrecarga térmica do organismo. Pessoas idosas, crianças, trabalhadores expostos ao sol e indivíduos com doenças preexistentes estão entre os grupos que exigem maior atenção durante episódios prolongados de temperaturas elevadas.

É justamente essa relação entre temperatura e mortalidade que sustenta a projeção.

Os pesquisadores analisaram dados de 24.378 regiões do mundo e compararam as temperaturas previstas com as médias registradas entre 1996 e 2025. A partir da relação histórica entre temperatura e mortalidade, estimaram o excesso de mortes que poderá acompanhar o atual El Niño.

Por que são chamadas de “mortes adicionais”

Esse é um ponto importante para interpretar o estudo. Todos os anos existe um número esperado de mortes em cada região, considerando população, idade e diferentes condições sociais e de saúde. Os pesquisadores procuram estimar quanto esse número pode aumentar quando as temperaturas ficam significativamente acima do padrão.

Essa diferença é chamada de mortalidade adicional ou excesso de mortalidade.

Assim, quando o levantamento aponta 13,3 mil mortes adicionais no Brasil, não significa que será possível atribuir individualmente 13,3 mil óbitos ao El Niño. É uma estimativa estatística de quantas mortes ocorreriam acima do esperado em razão da exposição às temperaturas projetadas.

Medidas podem reduzir o número de vítimas

O próprio estudo deixa claro que as projeções não representam um resultado inevitável.

Michael Greenstone, cofundador do Climate Impact Lab e professor da Universidade de Chicago, afirma que os dados permitem identificar onde ações emergenciais podem ser concentradas para reduzir a mortalidade.

Entre as medidas consideradas eficazes estão sistemas antecipados de alerta para ondas de calor, centros públicos de resfriamento, pontos de hidratação, ampliação do atendimento médico durante períodos críticos e proteção específica para trabalhadores que permanecem expostos a altas temperaturas.

A disponibilidade de eletricidade também pesa. Pesquisas anteriores do próprio Climate Impact Lab mostram que populações de países mais pobres enfrentam maior dificuldade para utilizar ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e outras formas de refrigeração justamente nas regiões onde o calor tende a provocar maior impacto sobre a saúde.

O alerta também interessa ao Sul do Brasil

Imagem publicada pela NASA

Para o Rio Grande do Sul, os números globais não permitem antecipar quantas mortes poderiam ocorrer especificamente no Estado. O estudo divulgado não apresenta, nas informações consultadas, uma projeção desse tipo para a população gaúcha.

O dado nacional, porém, coloca o tema no radar também do Sul do país.

O El Niño interfere no clima brasileiro de maneiras diferentes conforme a região. Além das temperaturas, alterações na circulação atmosférica podem modificar a distribuição das chuvas e aumentar outros riscos associados ao fenômeno.

Por isso, a dimensão de 451 mil mortes projetadas deve ser entendida como um alerta de saúde pública e planejamento, e não como uma contagem antecipada de vítimas.

O estudo aponta onde o risco poderá ser maior. O que efetivamente ocorrerá dependerá da intensidade do fenômeno, das temperaturas observadas nos próximos meses e, principalmente, da capacidade de cada país de proteger sua população quando o calor atingir níveis extremos.

Matéria especial produzida a partir de publicação da CNN Brasil, divulgada em 23 de setembro de 2026, com complementação de informações oficiais do Climate Impact Lab e do Institute for Climate and Sustainable Growth da Universidade de Chicago.

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