ALERTA SANITÁRIO
Surto de diarreia já ultrapassa 10 mil casos em Santa Catarina em apenas duas semanas
Litoral concentra maior número de registros; Bombinhas vive ‘explosão’ de 353% de casos de diarreia, mas Chapecó aparece como a segunda cidade mais afetada; autoridades reforçam alerta sanitário.
Santa Catarina registrou 10.649 casos de Doença Diarreica Aguda (DDA) em 2026, conforme dados do Ministério da Saúde atualizados até quinta-feira (15). O avanço rápido da doença em apenas duas semanas acendeu o alerta das autoridades de saúde, especialmente em meio ao verão e à alta circulação de pessoas no estado.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o litoral catarinense concentra a maior parte dos casos, cenário associado às temperaturas elevadas, aumento do consumo de alimentos fora de casa, riscos na conservação e manipulação de alimentos e maior exposição a águas impróprias para banho.

Foto: Divulgação/Pref. de Chapecó
Apesar disso, o comportamento da doença não se restringe às cidades litorâneas. Itajaí lidera o ranking estadual, com 1.335 casos, seguida por Chapecó, no Oeste, que já contabiliza 599 pessoas afetadas, despontando como a segunda cidade com maior número de registros de diarreia em Santa Catarina.
A SES destaca que os números não representam a totalidade dos casos ocorridos, mas funcionam como um indicador epidemiológico para acompanhar a evolução da doença e identificar situações de risco que exigem resposta rápida do sistema de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, as doenças diarreicas agudas são infecções gastrointestinais caracterizadas por três ou mais episódios de diarreia em 24 horas, com fezes líquidas ou amolecidas, podendo ser acompanhadas de náusea, vômito, febre e dor abdominal. Em geral, são autolimitadas e duram até 14 dias, mas podem causar desidratação leve a grave, especialmente em crianças e idosos.
As DDAs são causadas por bactérias, vírus ou parasitas, transmitidos principalmente pelo consumo de água e alimentos contaminados, contato com mãos ou objetos contaminados e exposição a ambientes com saneamento inadequado. Também podem ter origem não infecciosa, associada a medicamentos, álcool ou doenças crônicas do sistema digestivo.

O município de Bombinhas, no Litoral Norte, vive uma situação ainda mais preocupante. Entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026, foram registrados 409 casos de DDA, um aumento de 353% em relação ao mesmo período da temporada anterior, quando houve 87 notificações.
O crescimento ocorre em meio a denúncias de descarte irregular de esgoto e à divulgação do relatório de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que aponta 8 dos 17 pontos analisados como impróprios para banho. Trechos das praias de Bombas, Zimbros, Morrinhos e Canto Grande (mar de fora) estão entre os locais com restrição.
A presença de coliformes fecais acima do permitido indica risco de contaminação por micro-organismos capazes de provocar infecções gastrointestinais. O IMA recomenda evitar o banho de mar nas primeiras 24 a 48 horas após chuvas intensas e nas proximidades de saídas de galerias pluviais.
Em nota, a Prefeitura de Bombinhas afirmou que o aumento expressivo dos casos está ligado à reformulação do sistema de monitoramento e notificação, que teria reduzido subnotificações. Segundo o município, a elevação dos números reflete maior precisão da vigilância e não, necessariamente, agravamento real do cenário epidemiológico.