TEMPORAIS NO RS

Temporal deixa uma morte e danos em mais de 100 municípios; rios mantêm RS em alerta

Defesa Civil registra ocorrências em 119 cidades e confirma uma morte em Pelotas; nível dos rios preocupa principalmente nas bacias do Taquari, Caí, Paranhana, Sinos e Jacuí, enquanto mais de 579 mil clientes seguem sem energia

Por Redação AU Publicado em há 2 horas

O balanço dos temporais que atingem o Rio Grande do Sul aumentou ao longo desta segunda-feira (21). Levantamento preliminar da Defesa Civil Estadual aponta 122 ocorrências em 119 municípios, com registro de uma morte e três pessoas feridas.

Das ocorrências comunicadas, 109 tiveram algum tipo de dano humano ou material, distribuídas por 107 municípios. Vendavais aparecem entre os eventos mais frequentes, acompanhados por chuva intensa, granizo, alagamentos, enxurradas, deslizamentos e movimentação de solo e lama.

A morte foi registrada em Pelotas. Também há três feridos: um em Aceguá, um em Caxias do Sul e outro em Santa Maria.

Os números ainda são preliminares e podem mudar à medida que as prefeituras encaminham novos levantamentos.

Divulgação/Pref. de Lajeado

Taquari preocupa e Lajeado começa retirada preventiva

Passada a fase mais intensa dos vendavais em várias regiões, a atenção se volta agora para os rios. A grande quantidade de chuva acumulada nas últimas horas elevou cursos d'água e aumentou o risco de inundações.

Em Lajeado, a Prefeitura acionou o Plano de Contingência e decidiu iniciar a retirada preventiva de famílias que vivem nas áreas de risco até a cota dos 21 metros.

A medida foi definida durante reunião no gabinete da prefeita Gláucia Schumacher, no início da tarde, com base nas projeções da Defesa Civil Estadual e do Serviço Geológico do Brasil para a elevação do Rio Taquari.

O cenário exige atenção também em outras bacias.

Já são observados níveis de inundação no Rio Caí, em Nova Palmira, e no Rio Paranhana, em Igrejinha. As projeções hidrológicas apontam risco de inundação no Jacuí, entre Dona Francisca e Cachoeira do Sul; no Taquari, a partir de Santa Tereza; no Caí, a partir da região de Nova Palmira; no Paranhana, a partir de Igrejinha; e no Rio dos Sinos, em Campo Bom.

Segundo o Centro de Monitoramento da Defesa Civil, arroios e rios da Região Hidrográfica do Guaíba apresentam elevações importantes. A continuidade da chuva no Norte do Estado pode provocar novos alagamentos, enxurradas e extravasamentos de cursos d'água.

Mais de 579 mil pontos continuam sem energia

O temporal também provocou danos de grande dimensão na rede elétrica.

Na atualização disponível durante esta segunda-feira, 400.483 clientes da CEEE Equatorial permaneciam sem energia elétrica. Na área atendida pela RGE, outros 179,3 mil clientes estavam sem fornecimento.

Somadas as duas concessionárias, são aproximadamente 579,8 mil pontos ainda sem luz.

O número, embora elevado, já representa redução em relação às primeiras horas da manhã. Somente na área da RGE, o temporal chegou a provocar 381,4 mil desligamentos simultâneos por volta das 5h. De acordo com a concessionária, 53% dos clientes atingidos no pico do evento já haviam recuperado o serviço.

As áreas mais afetadas na concessão da RGE estão no Vale do Sinos, Região Metropolitana, Vale do Taquari e Região Central.

Na área da CEEE, Pelotas continuava com a situação mais crítica, com 81.767 clientes sem energia. Rio Grande aparecia com 66.483; Porto Alegre, 20.266; Viamão, 15.135; e Camaquã, 8.504.

Também havia milhares de consumidores sem luz em Bagé (6.879), Capão da Canoa (6.508), Xangri-Lá (6.221), São Lourenço do Sul (5.234) e Guaíba (3.702).

Quedas de árvores e postes, além de danos diretos à rede provocados pelas fortes rajadas, dificultam o restabelecimento em algumas áreas. Na região atendida pela RGE, os ventos chegaram a 115 km/h durante o episódio.

Chuva pode passar dos 200 milímetros

Foto: Prefeitura de Montenegro

Embora a tendência para os próximos dois dias indique retorno gradual à normalidade meteorológica em grande parte do Rio Grande do Sul, esta segunda-feira ainda exige atenção, especialmente no Norte, Vales, Serra, Noroeste e Nordeste.

Durante a tarde, permanece a possibilidade de chuva intensa em curto período. A previsão aponta mais 50 a 80 milímetros em 12 horas em algumas áreas, além dos 100 a 150 milímetros já registrados desde o início do evento.

Com isso, localidades mais atingidas podem terminar o episódio com acumulados superiores a 200 milímetros.

A possibilidade de tempestades também não está descartada até a noite. Há risco de granizo, inclusive de grande tamanho, e rajadas que podem superar os 90 km/h, principalmente no Noroeste, Norte e Nordeste gaúcho.

Defesa Civil do RS/Divulgação

Tempo melhora, mas água ainda vai chegar aos rios

A melhora prevista para grande parte do Estado nos próximos dois dias é uma notícia positiva, mas não encerra imediatamente o risco.

Mesmo depois de a chuva diminuir, a água acumulada nas áreas mais altas continua escoando para arroios e rios. Por isso, algumas bacias podem registrar elevação horas depois do fim das precipitações.

Neste momento, o acompanhamento dos níveis dos rios passa a ser tão importante quanto o monitoramento das tempestades. No Vale do Taquari, a retirada preventiva de moradores de Lajeado mostra que o risco agora não está apenas no que ainda pode cair do céu, mas também no volume de água que já chegou às bacias gaúchas.

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