TEMPORAL NO RIO GRANDE DO SUL
Temporal no RS: mais de 470 mil seguem sem energia
Defesa Civil contabiliza 122 ocorrências em 119 municípios; Serra, Vales e Norte concentraram chuva intensa, enquanto bloqueios em rodovias e risco de inundações mantêm o Estado em atenção
O temporal que atravessou o Rio Grande do Sul entre domingo (20) e esta segunda-feira (21) deixou dois mortos, três feridos e três desaparecidos, conforme as informações disponíveis no início da noite. A Defesa Civil contabiliza 122 ocorrências em 119 municípios, provocadas principalmente por vendavais, chuva intensa, granizo, alagamentos, enxurradas e deslizamentos.

Pelotas, Santa Vitória do Palmar, Capão da Canoa e Júlio de Castilhos estão entre os municípios com danos mais significativos. Na Serra, nos Vales e no Norte, além dos estragos causados pelas tempestades, a preocupação passa agora para o grande volume de água acumulado e a resposta dos rios.
Até o início da noite, 27 alertas permaneciam vigentes no Estado. Vinte estavam relacionados ao risco de movimentos de massa, principalmente na Serra, e outros sete tratavam da possibilidade de inundações em pontos específicos das bacias hidrográficas.
A Defesa Civil pede atenção especial aos moradores de encostas e locais com declividade acentuada. Sinais como movimentação de terra, rachaduras, inclinação de árvores, postes ou muros devem ser considerados indicativos de risco.
Chuva chegou perto de 200 milímetros
Segundo a Defesa Civil, a sequência de temporais foi provocada pelo avanço de uma frente fria sobre uma atmosfera que estava quente e carregada de umidade.
O sistema chegou ao Estado no início da madrugada desta segunda-feira e avançou rapidamente, produzindo chuva forte, granizo e rajadas intensas em diferentes regiões.
Na Serra, Vales e Norte, porém, o deslocamento da frente foi mais lento. A combinação favoreceu a concentração de umidade e aumentou o volume de precipitação.
Em alguns pontos, os acumulados chegaram perto de 200 milímetros em 48 horas, sendo que uma parcela expressiva caiu em intervalos de apenas três a seis horas. Essa concentração ajuda a explicar as enxurradas e a rápida elevação de arroios.
A meteorologista da Defesa Civil Vanessa Gehm explicou que houve canalização de calor e umidade sobre a Serra e os Vales justamente no momento da passagem da frente fria, intensificando as precipitações.
Até agora, a Defesa Civil não confirmou a ocorrência de tornados. As equipes ainda avaliam os danos e os fenômenos que acompanharam as tempestades.
Rodovias têm bloqueios
Os estragos também chegaram às estradas.
Na Serra, havia bloqueios totais na ERS-431, em São Valentim do Sul; ERS-444, entre Monte Belo do Sul e Santa Tereza; ERS-448, entre Nova Roma do Sul e Farroupilha; e ERS-110, entre os quilômetros 70 e 72.
No Vale do Rio Pardo, a ERS-347 apresentava interrupção em Segredo. Rodovias federais também registraram pontos de bloqueio em diferentes regiões.
Como a situação pode mudar rapidamente, a orientação para quem precisa viajar é consultar as condições da rota antes de sair.
Mais de 470 mil consumidores sem luz
Apesar do trabalho de recuperação das redes, centenas de milhares de imóveis permaneciam sem energia elétrica no início da noite.
Na área atendida pela CEEE Equatorial, 348.070 clientes estavam sem fornecimento. Outros 124 mil consumidores permaneciam sem luz na área da RGE.
Somados, os números representam cerca de 472 mil clientes ainda afetados.
O total já é inferior ao registrado durante a manhã, quando o temporal derrubou árvores, postes e estruturas da rede elétrica em várias regiões do Estado.
Instabilidade perde força, mas atenção passa aos rios
A tendência meteorológica para esta terça-feira (22) é melhor. A frente fria avança e a instabilidade perde intensidade na maior parte do Rio Grande do Sul.
Ainda podem ocorrer pancadas no Norte e Nordeste gaúcho, mas a previsão não indica, neste momento, novos volumes semelhantes aos registrados entre domingo e segunda-feira.
Isso não significa, porém, o fim dos problemas.
Depois de acumulados próximos dos 200 milímetros em algumas áreas, parte dessa água ainda precisa chegar aos rios maiores. Taquari e outros afluentes do Guaíba permanecem sob acompanhamento, e a resposta dos níveis poderá ocorrer mesmo depois da redução da chuva.
A Defesa Civil espera ter uma leitura mais clara deste cenário ao longo desta terça-feira. Até lá, a atenção permanece principalmente nas áreas próximas aos rios, regiões de encosta e municípios onde o solo já está encharcado.