UFFS mobiliza estudantes e professores após desastre climático e atua diretamente na preservação da memória da cidade
Universidade mobilizou estudantes e especialistas para higienizar e restaurar documentos atingidos pelo temporal, com previsão de retomada das atividades do acervo em 2026.
A Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) segue auxiliando na recuperação do Arquivo Histórico de Erechim após a tragédia climática que atingiu o município no fim de novembro de 2025. A iniciativa integra o projeto “Ação humanitária no enfrentamento da emergência climática em Erechim”, por meio do qual a UFFS selecionou 19 estudantes bolsistas e 10 colaboradores, entre técnicos e professores, para atuar em diferentes frentes de apoio ao município, em parceria com o Grupo de Resposta a Atendimento de Urgência (GRAU).
Uma das ações estratégicas é o trabalho desenvolvido no Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Ila Font, atingido pelo temporal de granizo. No local, que abriga documentos administrativos, processos judiciais, acervos jornalísticos e outros registros fundamentais da história da cidade, atuam cinco estudantes do curso de História da UFFS.
Segundo o coordenador da ação, o professor Renan Mattos, os estudantes estão envolvidos em um processo técnico e cuidadoso de recuperação do acervo. “Inicialmente realizamos a avaliação dos danos, que se mostraram limitados porque o Arquivo foi atingido por chuva, e não por água contaminada. Agora, estamos atuando na higienização, limpeza mecânica e reorganização dos documentos, o que vai permitir, em um terceiro momento, avançar para a restauração do material afetado”, explica.
O trabalho envolve técnicas específicas de retirada de agentes contaminantes, controle de fungos, limpeza e secagem dos documentos. Para qualificar a atuação, a equipe participou de um treinamento ministrado por Nôva Brando, historiadora do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul. A expectativa é que o Arquivo Histórico retome suas atividades no segundo semestre de 2026.
Para o professor Renan Mattos, a ação vai além da recuperação física do acervo. “O curso de História se coloca como agente ativo na preservação das memórias, dos patrimônios e da própria identidade da cidade. Esse trabalho ressignifica a relação entre universidade, ciência e comunidade, especialmente em um contexto de trauma coletivo causado por um evento climático extremo”, afirma.
Atuação da UFFS no enfrentamento de emergências climáticas
A atuação da UFFS em Erechim faz parte de uma resposta institucional mais ampla frente às emergências climáticas na região Sul. De acordo com o pró-reitor de Extensão e Cultura, Willian Simões, a universidade mobilizou recursos próprios e atuou em diálogo direto com o MEC para ampliar a capacidade de resposta às demandas sociais.
“A Reitoria, de forma coletiva, articulou junto ao Ministério da Educação a descentralização de uma Nota de Crédito complementar, o que possibilitou a publicação de editais específicos para ações emergenciais de extensão em regiões atingidas por eventos climáticos extremos, como Erechim e o campus de Laranjeiras do Sul, no Paraná”, destaca.
Segundo ele, a iniciativa demonstra a capacidade da UFFS de agir de forma rápida e estratégica. “Essa atuação só foi possível porque a universidade está administrativamente organizada, possui uma comunidade acadêmica fortemente comprometida com os territórios onde atua e não se furta a assumir seu papel social diante de situações de calamidade pública”, conclui.