AGRONEGÓCIO
União Europeia barra carnes brasileiras e país pode perder US$ 1,8 bilhão por ano em exportações
Decisão entra em vigor em setembro e afeta produtos como carne bovina, aves, pescado, mel e derivados de origem animal
O Brasil pode deixar de exportar cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas de origem animal para a União Europeia após o bloco confirmar a suspensão das compras de diversos produtos brasileiros a partir de 3 de setembro. A medida foi oficializada pela Comissão Europeia nesta sexta-feira (5) e atinge carnes bovina e de aves, equídeos, produtos da aquicultura, mel e tripas.
Segundo o documento publicado no Jornal Oficial da União Europeia, o bloqueio ocorre porque o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar o cumprimento das exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. O bloco europeu entende que ainda não recebeu garantias de que os produtos exportados atendem às normas estabelecidas pela regulamentação adotada em 2023.

Com a decisão, o Brasil será retirado da lista de países autorizados a exportar essas categorias de produtos para os 27 países da União Europeia. Em maio, os europeus já haviam sinalizado a restrição e solicitado informações adicionais ao governo brasileiro sobre os mecanismos de controle e fiscalização utilizados na cadeia produtiva.
Nos últimos meses, o Ministério da Agricultura manteve negociações com representantes da Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia. No fim de maio, equipes técnicas participaram de uma reunião virtual para apresentar esclarecimentos e documentos complementares. Apesar dos avanços, interlocutores envolvidos nas tratativas afirmam que parte das exigências ainda estava em fase de atendimento.
Entre os pontos cobrados pela União Europeia estão a comprovação de que produtores e indústrias não utilizam substâncias proibidas pelo bloco, a segregação adequada da produção destinada ao mercado europeu e a demonstração de que o governo brasileiro possui sistemas eficazes de fiscalização para monitorar o cumprimento das regras.
A suspensão representa um novo desafio para o agronegócio nacional, especialmente para os setores exportadores de proteína animal. Além do impacto econômico estimado em US$ 1,8 bilhão anuais, a medida pode ampliar a pressão sobre o governo e o setor produtivo para adequar procedimentos e recuperar o acesso a um dos mercados mais exigentes e estratégicos do mundo.
Enquanto as negociações continuam, a expectativa é de que o Brasil apresente novas garantias sanitárias e mecanismos de controle capazes de atender às exigências europeias. Até lá, a decisão da União Europeia gera preocupação entre produtores, frigoríficos e exportadores que dependem do mercado internacional para manter o ritmo de crescimento do setor.