ECONOMIA
Fim da taxa das blusinhas faz compras internacionais dispararem 118% no Brasil
Receita Federal registra mais de 28 milhões de remessas no primeiro mês completo sem o imposto; entidades divergem sobre os impactos para consumidores e varejo.
O fim da chamada "taxa das blusinhas" provocou um forte aumento nas compras internacionais de baixo valor. De acordo com dados da Receita Federal, o Brasil recebeu 28,36 milhões de encomendas internacionais em junho, primeiro mês completo após a revogação do imposto de importação para compras de até US$ 50. O volume representa alta de 118% em relação a junho de 2025 e de 72% na comparação com abril deste ano.

Centro de distribuição dos Correios (Crédito: Elza Fiúza/Agência Brasil)
A cobrança, que aplicava uma alíquota de 20% sobre produtos de menor valor, era alvo de críticas de consumidores por encarecer compras em plataformas internacionais. Com o fim da tributação, houve uma retomada das importações, impulsionando o comércio eletrônico estrangeiro.
O aumento, no entanto, preocupa o varejo nacional. O Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne grandes redes do país, avalia que a retomada das compras em sites internacionais pode contribuir para a redução das vendas no comércio brasileiro e, no médio prazo, afetar investimentos e geração de empregos. Parlamentares ligados ao setor também defenderam a adoção de regras tributárias iguais para empresas nacionais e estrangeiras.
Em sentido contrário, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Alibaba, Amazon e Shein, classificou o crescimento das importações como esperado após a isenção do imposto. A entidade afirma que a medida amplia o acesso da população a produtos de menor custo, favorece a inclusão no consumo e destaca que será necessário acompanhar os dados por pelo menos seis meses para verificar se o aumento nas compras será mantido.