CONTAS NO VERMELHO

Governo gasta mais do que arrecada e dívida pública sobe para R$ 11 trilhões

Setor público teve déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto; dívida chegou a 82,9% do PIB, maior nível desde 2021

Por Redação AU Publicado em há 10 horas

As contas públicas brasileiras voltaram a fechar no vermelho em agosto. Em termos simples, as receitas obtidas pelo poder público não foram suficientes para cobrir as despesas, mesmo antes de considerar os juros da dívida. O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 10 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado reúne Governo Federal, estados, municípios e empresas estatais.

Agência Brasil/Arquivo

Dentro dessa conta, o maior resultado negativo veio do Governo Central, com déficit de R$ 14,7 bilhões. Estados e municípios registraram superávit de R$ 2,7 bilhões, enquanto as empresas estatais tiveram saldo positivo de R$ 2 bilhões. Assim, parte do rombo federal foi compensensada pelos demais entes, levando o déficit consolidado aos R$ 10 bilhões.

No ano, rombo chega a R$ 88,9 bilhões

Entre janeiro e agosto, o setor público acumulou déficit primário de R$ 88,9 bilhões, equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado piorou em relação ao mesmo período de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 61,8 bilhões.

Considerando apenas o Governo Central, o saldo negativo acumulado nos oito primeiros meses chegou a R$ 97,1 bilhões, contra R$ 84,6 bilhões no mesmo intervalo do ano passado.

O déficit primário é uma das formas mais diretas de acompanhar o equilíbrio das contas: quando o governo arrecada menos do que gasta nas despesas consideradas nesse cálculo, precisa financiar a diferença. E essa conta ainda não inclui os juros do endividamento.

Com juros, déficit passa de R$ 1 trilhão

Quando os juros são acrescentados, o quadro fica mais pesado. O chamado resultado nominal apresentou déficit de R$ 116 bilhões somente em agosto.

Em 12 meses, o saldo negativo chegou a R$ 1,26 trilhão, equivalente a 9,48% do PIB. As despesas com juros somaram R$ 1,18 trilhão no mesmo período.

A relação entre juros, déficit e endividamento ajuda a explicar a pressão sobre as contas públicas. O próprio Banco Central considera, na evolução da dívida, fatores como resultado primário, juros, variação do PIB e outros ajustes financeiros.

Dívida chega a R$ 11,05 trilhões

Em agosto, a dívida bruta subiu para 82,9% do PIB, equivalente a aproximadamente R$ 11,05 trilhões. É o maior percentual desde março de 2021.

Para dimensionar a trajetória recente, em agosto de 2025 a dívida bruta estava em 77,5% do PIB, ou R$ 9,6 trilhões.

Na prática, os números mostram o desafio fiscal em duas frentes: equilibrar receitas e despesas para reduzir os déficits e controlar o crescimento de uma dívida que já supera R$ 11 trilhões. Quanto maior o endividamento e o custo dos juros, maior tende a ser a parcela dos recursos públicos necessária para financiar essa dívida.

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