Desenrola 2.0
Trabalhadores já podem usar saldo do FGTS para renegociar dívidas pelo Desenrola 2.0
Nova modalidade permite utilizar até 20% do FGTS para abater débitos bancários em atraso e pode ajudar milhões de brasileiros a recuperar o controle financeiro.
Milhões de brasileiros ganharam uma nova oportunidade para sair do sufoco financeiro. A partir desta segunda-feira (25), trabalhadores já podem autorizar o uso de parte do saldo do FGTS para renegociar dívidas bancárias em atraso por meio do programa Desenrola 2.0.
A medida representa mais uma tentativa de aliviar o peso do endividamento das famílias e ajudar consumidores a recuperarem o controle da vida financeira sem precisar recorrer a novos empréstimos com juros elevados.
Com a nova modalidade, será possível utilizar até 20% do saldo disponível no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) — ou no mínimo R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor — para reduzir ou quitar pendências bancárias.

A consulta dos valores disponíveis já está liberada, permitindo que trabalhadores verifiquem quanto poderão usar nas negociações.
O processo funciona de forma simples e segura: o dinheiro não é depositado diretamente na conta do trabalhador. Após a autorização, a Caixa Econômica Federal faz a transferência do valor diretamente para o banco credor, abatendo automaticamente a dívida negociada.
A expectativa é que a medida beneficie milhões de brasileiros inadimplentes, especialmente em um cenário de juros altos e aumento do custo de vida, oferecendo uma alternativa para limpar o nome, reorganizar as finanças e recuperar o acesso ao crédito.
Além de reduzir o endividamento, o programa também busca estimular a economia, já que consumidores com menos dívidas tendem a voltar a consumir, investir e movimentar o mercado.
Especialistas alertam, no entanto, que a utilização do FGTS deve ser feita com planejamento e responsabilidade, já que o fundo funciona como uma reserva de proteção para situações como demissão sem justa causa e aposentadoria.
Ainda assim, para muitas famílias, a possibilidade de trocar dívidas caras por uma solução mais acessível pode representar o primeiro passo para recomeçar financeiramente.
Entenda como usar FGTS para quitar dívidas
O programa é destinado a trabalhadores com renda mensal de até cinco salários mínimos, atualmente em R$ 8.105.
Podem ser renegociadas dívidas bancárias contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 dias e dois anos. Entram na lista:
- Cartão de crédito
- Cheque especial
- Crédito pessoal (CDC)
Segundo o governo federal, o programa oferece:
- Desconto de até 90% sobre a dívida
- Juros limitados a 1,99% ao mês
- Parcelamento em até 48 vezes
- Prazo de até 35 dias para começar a pagar
Quanto do FGTS pode ser usado
O trabalhador poderá utilizar:
- Até 20% do saldo disponível no FGTS; ou
- Até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor.
Na prática, quem possui R$ 3 mil no fundo, por exemplo, teria 20%, equivalentes a R$ 600. Nesse caso, poderá usar R$ 1 mil por causa da regra do valor mínimo.
Contas ativas e inativas poderão ser utilizadas, com prioridade para as contas inativas.
Como autorizar o uso do FGTS
A autorização é feita diretamente pelo aplicativo oficial do FGTS.
Passo a passo
- Acesse o aplicativo FGTS
- Faça login com CPF e senha Gov.br
- Clique em “Novo Desenrola Brasil”
- Selecione “Continuar”
- Vá em “Autorizar instituição"
- Leia as informações sobre consulta do saldo
- Clique novamente em “Continuar”
- Finalize em “Entendi”.
Após a autorização, os bancos poderão consultar o saldo disponível por até 90 dias.
Como funciona a renegociação
Depois da autorização no aplicativo, o trabalhador deve procurar o banco tem a dívida e pedir adesão ao programa.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 10 mil agências dos Correios também poderão receber pedidos de adesão.
Após a negociação:
- O banco terá até 30 dias para formalizar o contrato;
- As informações serão registradas na Caixa
- A Caixa fará o pagamento diretamente à instituição financeira.
O que muda para quem usa saque-aniversário
Quem aderir ao Desenrola com uso do FGTS terá suspensão temporária do saque-aniversário e da contratação de novas antecipações vinculadas ao fundo.
O bloqueio permanecerá até que o saldo utilizado seja recomposto.
Exemplo: se o trabalhador tinha R$ 10 mil no FGTS e usar R$ 1 mil na renegociação, o saque-aniversário só volta a ficar disponível quando o saldo retornar aos R$ 10 mil.
Valores já comprometidos em contratos antigos de antecipação continuarão bloqueados conforme as regras originais.
Governo prevê “fila” no uso do fundo
O governo definiu um teto de R$ 8,2 bilhões para uso do FGTS no Desenrola 2.0. Segundo o Ministério da Fazenda, o limite foi criado para preservar o equilíbrio financeiro do fundo.
Na prática, os pedidos serão processados por ordem cronológica. Se o teto for atingido, novos pedidos poderão deixar de ser atendidos.